


Assista ao trailer: Terrifier 3
Jorge Ghiorzi
Membro da ABRACCINE (Associação Brasileira de
Críticos de Cinema) e ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do
Sul)
Contato: janeladatela@gmail.com /
jghiorzi@gmail.com
@janeladatela
Assista ao trailer: Terrifier 3
Jorge Ghiorzi
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Críticos de Cinema) e ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do
Sul)
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A primeira – mas não única – grande alteração do conto original foi a transposição da ação do século XIX para os dias contemporâneos. Afora isso, o roteiro incorporou ainda temas atuais como bullying, abuso infantil, maus-tratos e abandono parental.
A produção é de Seth Rogen, que tem se mostrado um produtor bastante ativo. Esta é sua terceira produção a entrar em cartaz em 2023, após Loucas em Apuros e As Tartarugas Ninja: Caos Mutante, além da série de animação Invencível, no Prime Video, o serviço de streaming da Amazon. A direção de Toc Toc Toc – Ecos do Além é de Samuel Bodin, da série Marianne, da Netflix.
Assista ao trailer: Toc Toc Toc – Ecos do Além
Jorge Ghiorzi
Membro da ACCIRS – Associação de
Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul
Contato: janeladatela@gmail.com
O que os olhos não veem o coração não sente, diz o provérbio popular. Portanto, “corra”, “não, não olhe”. Este é o melhor conselho que “nós” podemos lhe dar, pois a ameaça do novo filme de Jordan Peele vem do espaço e pouco podemos fazer para escapar ileso. Com o lançamento de Não! Não Olhe! (Nope) o cineasta conclui seu tríptico revisionista das narrativas hollywoodianas, inserindo definitivamente seu nome na galeria dos mais destacados realizadores contemporâneos de gênero.
Localizado no Vale de Santa Clarita, nos arredores de Los Angeles, o Rancho Haywood dos irmãos OJ (Daniel Kaluuya) e Emerald Haywood (Keke Palmer) é uma herança do falecido pai, criador e domador de cavalos utilizados pela indústria cinematográfica em filmes e séries. Os negócios já não prosperam como nos velhos tempos. A economia mudou, Hollywood mudou. O passado é só uma lembrança nostálgica.
O protagonismo de elencos predominantemente negros é uma constante nos trabalhos de Jordan Peele, e aqui não é diferente. O contexto racial também está presente, ainda que mais atenuando do que em Corra, por exemplo. Protagonismo este que desta vez extrapola os limites do filme e se expande para o próprio Cinema como um todo. Isto se manifesta já nos primeiros minutos quando somos apresentados à história por trás dos pioneiros experimentos do fotógrafo Eadweard Muybridge. No final do século 19 ele registrou pela primeira vez um simulacro de movimento através das imagens – o que seria o protocinema – quando apresentou ao mundo uma série de fotografias de um cavalo montado por cavaleiro. Jordan Peele nos conta então, através da personagem Emerald, uma versão cheia de liberdades (que atende aos propósitos do diretor) de que aquele cavaleiro era um homem negro. Portanto, a primeira imagem em movimento de um ser humano foi protagonizada por um negro, porém, o apagamento histórico não permitiu o devido reconhecimento daquele personagem.
Nem seria necessário um olhar mais atento para percebermos que desta vez Jordan Peele está vivendo seu momento Shyamalan. No caso, é real e intencional a semelhança, reconhecida pelo próprio realizador que cita o cineasta de origem indiana como uma referência na concepção do filme, cujo roteiro é do próprio Peele.
Assista ao trailer: Não! Não Olhe!
Jorge Ghiorzi
Membro da ACCIRS
Então, chegou o ano de 2020. O planeta ficou ameaçado pelo coronavírus. É mundo real, não ficção. Imediatamente uma nova chave de compreensão e analogia foi agregada para a análise do filme de três anos atrás. A decisão de desenvolver uma continuação da história foi certamente impactada por este novo momento. O entendimento da narrativa então se processa com este novo registro em nossa mente.
Evelyn Abbott (Emily Blunt) e os filhos, Regan (Millicent Simmonds), Marcus (Noah Jupe) e o bebê que nasceu no final do filme anterior, prosseguem sua jornada silenciosa pela sobrevivência, em fuga da ameaça que espreita por todos os lados. A trajetória que se assemelha a um road movie, que se guia por uma tensão constante que alterna movimento e confinamento, silêncio e ruídos extremos, tensão e relaxamento, isolamento e interação social, desafio e superação pessoal. Os personagens, todos, apresentam um arco narrativo bem estabelecido, o que contribui decisivamente para a coesão da história e acentua valores individuais da família nuclear. Um Lugar Silencioso – Parte II expande o conceito original e abre possibilidades para novos personagens, como Emmett (Cillian Murphy), antigo amigo da família, e um sobrevivente do pós-apocalipse, vivido por Djimon Hounsou.
Assista ao trailer: Um Lugar Silencioso – Parte II
Jorge Ghiorzi
Uma das franquias
de filmes de terror de maior sucesso dos anos 2000, Invocação do Mal chega a mais um capítulo neste pandêmico ano de
2021. Mais do que chamá-la de franquia, o mais correto certamente seria nos
referirmos ao “Universo Invocação do Mal”, pois é disso que se trata. Outros títulos
se incorporam neste universo expandido, com filmes como Annabelle, A Maldição da
Chorona, A Freira e suas respectivas
sequências.
Personagens centrais das histórias, a dupla (real, já falecida) de investigadores de fenômenos paranormais Ed e Lorraine Warren nos apresenta mais uma caso fantástico da sua extensa relação de investigações neste Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio (The Conjuring: The Devil Made Me Do It). O selo de credibilidade está lá, estampado na tela: “baseado em fatos verídicos”. E assim recebemos os relatos do casal, temperados com altas doses de ficção e transformados em espetáculo cinematográfico para as massas. O caso da vez é recorrente na série, mais uma possessão demoníaca.
Um fato salta aos olhos com este Invocação do Mal 3. A série já dá sinais claros de esgotamento da fórmula. Após os dois primeiros episódios bem sucedidos, que estabeleceram um padrão acima da média para seus congêneres, o terceiro filme passa a sensação de estarmos diante de uma tentativa mudança de rumo. Como parece ser uma tradição nos chamados “terceiros episódios” de séries e sagas, há uma busca de saídas narrativas e exploração de novos terrenos que assegurem a continuidade. Este componente de risco costuma invariavelmente resultar em excessos e exageros. Este é o caso de Invocação do Mal 3, que, enfim, é apenas mais do mesmo. Não podemos desconsiderar que James Wan, diretor dos primeiros filmes, agora assume a condição apenas de produtor. A direção coube a Michael Chaves, o mesmo de A Maldição da Chorona (2019), que filmou um roteiro que traz mais complexidade ao enredo e avança um pouco no terreno dos filmes de investigação policial.
O carisma do casal de atores Patrick Wilson e Vera Farmiga dá conta do recado, como sempre. O filme se sustenta integralmente no desempenho da dupla. Há que se perguntar o que farão os produtores da franquia quando a dupla se aposentar da série. O destino talvez seja transformar a franquia em uma série de TV, apresentando a cada episódio um novo caso dos “detetives do oculto” no início da carreira, com atores mais jovens. Algo na linha do saudoso seriado dos anos 70 Kolchak – Os Demônios da Noite, estrelado por Darren McGavin como o repórter Carl Kolchak que investigava casos misteriosos e sobrenaturais.
Assista ao trailer: Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio
Jorge Ghiorzi
O que começou originalmente
como uma comédia de terror acabou por se tornar um dos maiores clássicos do
cinema independente, criador do subgênero dos filmes de zumbis. Assim surgiu A
Noite dos Mortos Vivos (1968) obra máxima da filmografia de GEORGE A. ROMERO.
Após levantar a soma de pouco mais de 100 mil dólares, Romero, aos 28 anos, escreveu, produziu e dirigiu seu primeiro longa-metragem. O filme surgiu em uma época muito propícia para a abordagem de uma temática mais pesada. Era final dos anos 60, a Guerra do Vietnã jogava a violência diariamente nas telas das TVs. O mal-estar, os medos e as angústias da sociedade estavam vindo à tona. No mesmo período, paralelamente à produção de Romero, o europeu Roman Polanski estava na América rodando o clássico do gênero horror O Bebê de Rosemary, que seria lançado no mesmo ano.
A Noite dos Mortos Vivos estabeleceu novo padrão para os filmes de baixo orçamento, revelando nuances de comentários sociais incomuns para filmes de terror. Críticos apontam o filme de Romero como um dos mais representativos do espírito turbulento dos anos 60. Um símbolo do seu tempo ao se mostrar engajado às lutas dos movimentos dos direitos civis da comunidade afro-americana dos Estados Unidos. O longa-metragem foi estrelado por Duane Jones, o primeiro ator negro escalado para protagonizar um filme de terror.
George A. Romero construiu praticamente toda sua filmografia voltada aos filmes de terror. Dirigiu 17 longas-metragens, raramente se afastando do gênero. Uma das poucas exceções é o drama de ação Cavaleiros de Aço (1981) que mostra motoqueiros itinerantes reproduzindo o estilo de vida dos cavaleiros medievais.
Em destaque na sua obra cinematográfica vale lembrar também de Martin (1977), releitura naturalista dos filmes de vampiro; Instinto Fatal (1988), drama de horror com toques de ficção científica sobre uma experimento que injeta células de cérebro humano em uma macaca superinteligente que trabalha como auxiliar para um tetraplégico, e A Metade Negra (1993), baseado na obra de Stephen King, que conta a história de um escritor de livros com histórias de crimes, que se torna suspeito de uma série de assassinatos.
A Noite dos Mortos Vivos é o primeiro das cinco sequências e/ou remakes dirigidos pelo próprio Romero, além de outra duas versões dirigidas por Tom Savini (1990) e Jeff Broadstreet (2006).
Fazem parte do universo “Mortos”, com a legítima grife Romero, os longas Despertar dos Mortos (1978); Dia dos Mortos (1985); Terra dos Mortos (2005); Diário dos Mortos (2007) e A Ilha dos Mortos (2009).
O cinema de terror deve um tributo ao diretor George A. Romero. Mesmo sem o brilho de outros tempos, as últimas realizações do cineasta deixaram um caminho aberto, inspirando novas gerações e realizações de sucesso, como a série The Walking Dead, por exemplo.
Romero morreu em 16 de julho de 2017, aos 77 anos, em casa com a família, enquanto escutava a trilha sonora de um de seus filmes favoritos, Depois do Vendaval (1952) de John Ford.